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Poluição do ar e Covid-19: qual a perigosa relação?

A poluição do ar causa cerca de 7 milhões de mortes por ano, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Altos níveis de poluição do ar são relacionados a casos como de acidente vascular cerebral (AVC), doenças cardíacas, pulmonares, câncer de pulmão e infecções respiratórias agudas. 

Sabendo que a poluição é associada a esses problemas de saúde, que também são identificados como condições médicas pré-existentes que aumentam as possibilidades de morte por infecção por COVID-19, podemos traçar um paralelo entre os dois, o que iniciou estudos ao redor do mundo.

Em um artigo publicado pela revista Cardiovascular Research, da Sociedade de Cardiologia da Europa (ESC), pesquisadores fizeram uma estimativa de quanto a taxa de mortalidade aumentou em diversos países no mundo, incluindo o Brasil, em função da baixa qualidade do ar. Divulgado em novembro de 2020, o artigo traz um panorama global sobre a correlação entre fatores de qualidade do ar e o aumento na mortalidade de coronavírus. 

O estudo foi o primeiro que trouxe um panorama mundial analisando todos os países ao redor do planeta. Com valores quantitativos, foi realizada uma estimativa global para esse aumento da mortalidade provocada pela COVID-19, resultando numa taxa que gira em torno de 15% e possui resultados discriminados para cada país, sendo 12% no Brasil.

A pesquisa considera o aumento da mortalidade para o coronavírus por conta da poluição de partículas ultrafinas, que são uma categoria de poluentes do ar. Um material particulado ultrafino, também chamado de PM 2.5 ou aerossol, consiste em partículas em suspensão no ar, classificadas de acordo com seu tamanho. Quanto menor, mais fundo conseguem penetrar no organismo, chegando nos alvéolos pulmonares, e até na corrente sanguínea. 

Desse modo, a poluição do ar por partículas ultrafinas também já é associada ao aumento de doenças cardiovasculares e problemas respiratórios, trazendo assim consequências mais graves para a saúde humana. Um indivíduo que já possua uma inflamação cardiorrespiratória ou cardiovascular presente, por exemplo, vai estar mais vulnerável a ter uma inflamação pelo COVID, já que o vírus ataca esses mesmos sistemas.

Praticamente todas as atividades humanas emitem poluentes de alguma forma. Veículos a combustão, como gasolina, gasóleo, etanol, cada um emite partículas e gases tóxicos, indústrias, agricultura, e outros. No entanto, os resultados deste estudo também mostram que muitas mortes causadas pela COVID-19 poderiam ter sido evitadas em função da melhoria da qualidade do ar. 

O estudo mostra que se tivéssemos menos poluição causada pelo homem, as taxas de mortalidade poderiam ser bem reduzidas, citando o exemplo da Austrália, com padrões de qualidade do ar muito restritivos, menores até que os padrões de qualidade do ar da OMS e foi um dos países que teve menor aumento de mortalidade devido à poluição do ar. Outras pesquisas também se dedicaram a estudar a relação da poluição do ar com a COVID-19. 

Conforme pesquisa realizada pela Escola de Saúde Pública de Harvard, também foi diagnosticado que respirar ar mais poluído ao longo dos anos pode agravar os efeitos do vírus. Uma análise feita em 120 cidades na China mostrou uma relação significativa entre a poluição do ar e a infecção por COVID-19, e dentre as mortes registradas por coronavírus em 66 regiões da Itália, Espanha, França e Alemanha, 78% delas ocorreram em cinco das regiões mais poluídas. 

Também há evidências de que respirar mais ar poluído aumentava os riscos de morte em surtos anteriores de síndrome respiratória aguda grave (SARS), bem como muitas outras infecções respiratórias, incluindo a gripe. Assim, é perceptível que este é realmente um fator a ser considerado, até mesmo para além da COVID-19, considerando a poluição do ar como sendo uma causa de mortalidade por si só. Ter políticas e mecanismos que diminuam a poluição do ar é essencial para reduzir o número de casos e óbitos por doenças respiratórias e para melhorar a saúde da população em sua totalidade.

Fontes: Fiocruz, Harvard T.H. Chan School of Public Health e European Society of Cardiology.